Dia das Mães? Dia dos Pais? Que tal trocar essas datas pela celebração do que há de maior: o amor que une as pessoas?

Nem todos os alunos têm mães. Alguns moram com os avós, outros com os tios ou ainda com outros parentes. E há também os que fazem parte de novos tipos de arranjos familiares. Essa realidade não é de hoje, mas vem sendo cada vez mais comum e, diante dela, nos cabe uma reflexão: até que ponto vale a pena usarmos o Dia das Mães, por exemplo, para atividades na escola?

É claro que a mãe ocupa um dos espaços mais importantes da nossa vida e sempre ocupará. Acontece que resumir essa grandeza toda em um único dia, com direito a pinturas, artes, confecção de presentes ou até a necessidade da presença da própria mãe no contexto escolar pode ter um efeito negativo.

Discutíamos esse assunto numa reunião com professores na montagem de um projeto de inclusão e novos arranjos familiares, e eis que uma educadora contou que, todo ano, nas vésperas do Dia das Mães, era obrigada a confeccionar um desenho para sua mãe, mesmo após explicar à professora que ela não tinha mais mãe. “Eu ficava muito mal e, no caminho para casa, jogava o desenho fora, chorando”, relatou.

O caso não é único. Pelo contrário: é muito mais comum do que se pensa. Por isso, talvez valha a pena buscar uma forma diferente de celebrar a união amorosa do aluno com seu lar e seus entes queridos. Muitas escolas já encontraram essa fórmula, criando o Dia da Família, muito mais agregador e que contempla todos os tipos de união, frisando a característica mais importante de qualquer laço familiar: o amor.

Rita Lisauskas, em artigo publicado no site do Estadão, explica essa inovação e suas vantagens: “Nessa festa [o Dia da Família], o foco é celebrar quem cuida, acolhe e educa essa criança”.

Façamos um exercício “Paulofreireano” e reflitamos. Cada aluno tem uma realidade diferente e, para conseguirmos contribuir com sua educação, é importante que saibamos entendê-la e agregá-la ao processo educativo. Além de famílias diferentes, há condições socioeconômicas diferentes, etnias e raízes diferentes, crenças diferentes (ou, não-crenças), histórias de vida diferentes.

Nesse sentido, já há experiências de escolas que vêm ampliando também o conceito de outras datas, criando, por exemplo, um “dia da cultura” que englobe tradições das mais diversas, contemplando vários modelos de vida e não apenas um, ou ainda uma visão mais ecumênica das datas que focam uma única crença.

Todas as diferenças que há em uma sala de aula, quando somadas e respeitadas igualmente, podem compor um mosaico que retrata um microcosmo da própria vida, cuja essência é a diversidade. E isso ajuda o aluno a entender melhor a si e o mundo que o cerca.

Se exercitarmos uma visão ampla (e inclusiva) ao educar, temos a chance de formar pessoas preparadas para combater a exclusão, e capazes de construir um mundo muito melhor para viver e conviver.

Texto: Marcos Brogna | foto: Pixabay

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