Trabalho e mundo melhor

Trabalhar já foi sinônimo de sofrimento e, para muitos, continua sendo. Uma pesquisa feita no início dos anos 2000 pela Organização Internacional do Trabalho apontava que apenas 8% dos trabalhadores se diziam totalmente felizes com seu emprego. Em 2015, a Etalent, em parceria com a Catho, quis saber como os brasileiros pensam a respeito do tema e descobriu que a satisfação com suas ocupações não chegava a 40% dos trabalhadores. São números preocupantes quando consideramos que o ambiente de trabalho é onde, em geral, passamos a maior parte de nossos dias.

A primeira pergunta que surge após tais índices é: por quê? A segunda: o que nós, educadores, podemos fazer, já que formamos crianças, jovens e adolescentes também para o mercado de trabalho?

Desde suas primeiras publicações, a OPEE sempre acreditou que um grande desafio de todos os ambientes educativos (que envolvem escolas, universidades, empresas, os lares, assim como quaisquer ambientes de convivência) é a formação de pessoas capazes de construir projetos de vida sadios, sustentáveis e voltados para a transformação no sentido de vitórias coletivas.

Uma das perguntas que mais ouvimos ao falar de orientação profissional em escolas é: “Que profissão dá dinheiro?”. E aí já começa um erro. Encarar o dinheiro como uma causa (e não uma consequência) pode acarretar dois problemas: não conseguir ganha-lo por trabalhar em algo do qual não se gosta ou até ganha-lo sem ter prazer no que se faz. Em ambos os casos, a frustração é recorrente.

Trabalhar é mais que uma atividade pessoal. É uma ação, sempre, coletiva. Quando trabalhamos, em qualquer profissão, estamos servindo alguém, uma ou mais pessoas. E essa relação, quando não se dá da melhor forma, pode se tornar um ato negligente. Por isso, precisamos escolher aquilo que nos dá sentido. E, para isso, é salutar que o mundo do trabalho (e todas as suas múltiplas possibilidades) seja trabalhado desde cedo nas escolas.

Howard Gardner já nos ensinou que nossos talentos são múltiplos e, muito além da inteligência lógica-matemática dos testes de QI de Alfred Binet, temos mais 7 inteligências e todas se combinam de forma única em cada ser humano. Ou seja, somos complexos em talentos e precisamos aprender a conhecê-los, praticá-los, apurá-los. A escola é um ambiente muito importante neste sentido.

Um bom caminho para exercitar as inteligências múltiplas de Gardner é, antes mesmo de ensinarmos, aprendermos a desmistificar as muitas possiblidades de profissões, não apenas tirando os rótulos de profissões “boas” ou “más”, “que dão dinheiro” ou “não dão dinheiro”, como também “profissão de homem” e “profissão de mulher”. Na era dos tempos líquidos de Zygmunt Bauman, caem os rótulos e os paradigmas se reconstroem, e é bom estarmos conectados com essa nova realidade. Até porque muitos especialistas dizem que estamos formando jovens para profissões que ainda nem existem e que serão criadas graças às enormes transformações do mundo de hoje, ultraconectado e digital.

Outra importante atitude é educarmos pelo exemplo. Somos felizes com a nossa profissão? Ser professor nos faz bem? Temos prazer em dar aula? Se sim, certamente contagiamos nossa turma. Se não, provavelmente podemos estar desestimulando nossos alunos diante do maior desafio da vida deles nesse momento, a resposta para o que vão “ser quando crescer”.

No tempo em que talento, criatividade, inovação, trabalhos voluntários, diversidade e colaboração passam a ser abraçados por grandes corporações, é muito importante contribuirmos para a formação de pessoas que enxerguem os valores acima dos preços, podendo construir seus projetos de vida conectados com duas grandes urgências do mundo de hoje: convivência e sustentabilidade.

 

PROPOSTA DE ATIVIDADE

– Uma profissão para mudar o mundo: pedir para cada aluno falar da profissão que gostaria de ter e como ela pode mudar o mundo para melhor. Ele terá de explicar o que esse profissional faz e como isso pode impactar em transformações no sentido de um mundo melhor. As respostas podem ser tanto em desenho quanto redações e poderiam ser expostas em trabalhos na classe ou até em outros ambientes da escola.

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