Foram muitas reflexões e até um caderno de atividades foi criado por todos os educadores presentes, visando um mundo mais empático pela educação

 

Em um mundo cheio de extremos e superconectado por teias digitais, a empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro) torna-se um dos maiores desafios. Foi esse o tema debatido no curso OPEE do dia 12 de junho, ministrado pelo professor universitário e jornalista Marcos Brogna, autor da “Trilogia Contemporânea” (que tem os títulos “Liberdade”, “Diversidade” e “Sustentabilidade”) e co-autor do livro “Diversidade e Sexualidade” (todos publicados pela OPEE Editora). 

Brogna ressaltou o fato de vivermos em uma era de muita informação, que não necessariamente se traduz em conhecimento e senso crítico. Temos acesso hoje, em apenas um dia, a um volume de informações que levaríamos uma vida para acessar na Idade Média, comparou o professor. Com a tecnologia digital quase inerente ao nosso dia-a-dia, o desafio é fazer da mídia o que ela significa, de fato: um meio e não um fim. “Quando usamos o computador ou o celular como um meio, podemos agir com uma finalidade. Já quando fazemos da tecnologia um fim, viramos reféns dela e isso está cada vez mais comum e escancarado, quando, por exemplo, pessoas dirigem carros teclando o celular, sem nem saber para quê”, lembrou Brogna.

O paradoxo da era digital foi um dos temas centrais do curso: ela nos conecta a uma infinidade de pessoas, mas muitas vezes o que se vê não é a pluralidade e sim o surgimento de bolhas de intolerância, de pessoas que se agrupam por um pensamento único, muitas vezes combatendo até com violência quem pensa diferente.

“A era digital trouxe a possibilidade da interação num contexto nunca antes visto e isso é maravilhoso, mas trouxe também uma bizarra realidade: a inquisição digital. Quando alguém faz um comentário contrário ao que se postou, é comum o autor da postagem simplesmente deletar aquele ‘amigo’ do Facebook, ou até o bloqueá-lo para que não mais traga seu pensamento ali”, apontou Brogna, que completou: “Obama descreveu bem esses tempos em seu último discurso como presidente dos EUA: as mesmas redes sociais que nos possibilitam um debate heterogêneo nos confina em bolhas de pessoas que pensam igual e não aceitam o contraditório. Precisamos quebrar essas bolhas, até porque a internet é e será o que fazemos com ela!”.

Diante de tal contexto, a grande missão de educadores (sejam eles familiares, professores ou líderes empresariais) é formar pessoas capazes de agir com empatia em múltiplas plataformas, incluindo a digital. “Precisamos exercitar a capacidade de nos colocar no lugar do outro, seja quem for este outro. Mais convivência e menos julgamento! Educar para a empatia é o desafio desse nosso tempo e isso inclui abraçar as diversidades, entendê-las e praticá-las tanto presencialmente quanto no contexto digital. Precisamos usar essa nova ferramenta para a convivência pacífica e inclusiva, fazer dos espaços digitais espaços de educação, tal qual fazemos em nossas salas de aula com excelência. Precisamos exercitar com os alunos a prática da cidadania e do respeito em todas as plataformas, abraçando a comunicação não-violenta”, disse Brogna. Ele também advertiu para a diferença entre liberdade de expressão e discurso de ódio. “Minha crença ou minha opinião é para mim. Com o outro, eu preciso ter, acima de tudo, respeito. Aliás, é bom lembrar que ofensa, preconceito e incitação à violência não são liberdade de expressão, são atitudes criminosas”, ressaltou.

No curso, foram apontadas várias campanhas de grandes empresas, ONGs, além de ações de instituições de ensino no sentido de agregar as diferenças. “As maiores marcas do mundo estão acordando para a diversidade e não apenas em suas campanhas publicitárias, mas muitas vezes em mudança de atitude dentro das próprias empresas ou patrocinando causas humanitárias. Viver a diversidade no trabalho (e também na educação) faz bem a todos. Quando incluímos, combatemos a exclusão. Precisamos aproveitar esse momento para consolidar esses valores na educação, para que esse momento não se resuma a uma ‘modinha’”, frisou o professor.

O curso teve como um dos pontos altos a participação dos educadores presentes. Eles foram reunidos em duplas com o desafio de criar um exercício de empatia que comporá um caderno escrito “a todas as mãos” ali presente. Este caderno está em confecção e será distribuído, digitalmente, aos educadores que utilizam a OPEE como uma inspiração para exercitar a empatia. “Não basta falar em empatia, é preciso fazer, daí a ideia de uma criação em grupo: todos pela empatia, a empatia com as outras pessoas e também com todos os tipos de vida, visando um mundo mais sustentável”, definiu Brogna.

O curso de Marcos Brogna fechou uma série de três no primeiro semestre deste ano. Alessandra Borelli, autora da coleção “Cidadania Digital”, abriu a temporada falando dos perigos digitais, seguida de Leo Fraiman, autor da Metodologia OPEE, que abordou a neurociência da motivação. Em outubro, um novo curso ministrado por Leo Fraiman será feito. Todos esses encontros acontecem na FTD Educação, parceira da OPEE.

texto e foto: Thainá Prado

One thought on “Curso aborda (e pratica) a empatia

  • 30 de junho de 2017 at 17:32
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    Acompanho todo trabalho da OPEE/FTD, são temas pertinentes ao nosso dia a dia, mascam numa roupagem ultra moderna, dinâmica e gostosa. Sou seguidora de marcos brogna pelo Facebook, e ele é brilhante, assim como toda equipe. Parabéns, muiyo obrigada e me sinto privilegiada.

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